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Ciências Biomédicas: o pilar invisível da medicina moderna

Sexta-feira, Junho 5, 2026 - 17:21
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Diagnósticos, vacinas, terapias inovadoras e ferramentas de inteligência artificial na saúde têm um denominador comum frequentemente ignorado: o trabalho desenvolvido pelas Ciências Biomédicas. No presente artigo, Ana Sofia Duarte, professora associada da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Católica Portuguesa e coordenadora da Licenciatura em Ciências Biomédicas, analisa o papel desta área na construção do conhecimento científico que sustenta a medicina contemporânea.

As Ciências Biomédicas ocupam um espaço paradoxal na saúde contemporânea: são fundamentais para grande parte do que sustenta a medicina moderna, mas permanecem amplamente invisíveis para a maioria das pessoas. Quando um diagnóstico é confirmado, quando uma vacina é administrada ou quando um tratamento é ajustado, tende a reconhecer-se o papel do médico e da instituição de saúde. Porém, raramente se vê o trabalho científico que tornou essas decisões possíveis.

As Ciências Biomédicas desempenham precisamente esse papel estruturante entre a investigação científica e a aplicação clínica. Contribuem para o desenvolvimento e validação de testes diagnósticos, incluindo metodologias cada vez mais inovadoras e menos invasivas. É o caso dos testes moleculares baseados em saliva, que têm vindo a ganhar relevância pela sua simplicidade e conforto na colheita, particularmente importantes em populações vulneráveis, como bebés, pessoas idosas ou doentes oncológicos, para quem procedimentos invasivos podem ser mais difíceis ou desconfortáveis. O reconhecimento destas abordagens por entidades de saúde pública mostra como a investigação biomédica se traduz em benefícios concretos para os doentes.

A importância de um Biomédico tornou-se particularmente evidente em contextos de crise sanitária global, como a resposta à COVID-19. O desenvolvimento acelerado de testes diagnósticos, a validação de vacinas seguras e eficazes e a monitorização da evolução da doença mostraram até que ponto a sociedade depende de uma base biomédica robusta e altamente especializada.

A importância de um Biomédico tornou-se particularmente evidente em contextos de crise sanitária global, como a resposta à COVID-19.

Para além do diagnóstico, a biomedicina tem também o âmbito de atuação fundamental na identificação de biomarcadores moleculares que permitem detetar doenças mais precocemente, sustentando decisões terapêuticas atempadas e, por isso, mais eficazes. Do mesmo modo, a pesquisa destas moléculas permite a monitorização de estados de saúde, bem como do efeito das terapias utilizadas. São, em larga medida, o mecanismo que garante que a medicina se apoia em conhecimento sólido, reprodutível e clinicamente relevante.

Paralelamente, a crescente digitalização da saúde e o uso de ferramentas de inteligência artificial reforçam a necessidade de uma base biomédica sólida. Algoritmos de apoio ao diagnóstico e sistemas de análise de dados clínicos só são clinicamente relevantes quando assentes em conhecimento biológico validado e corretamente interpretado. A tecnologia, por si só, não substitui o conhecimento científico que a fundamenta.

A crescente digitalização da saúde e o uso de ferramentas de inteligência artificial reforçam a necessidade de uma base biomédica sólida.

Num contexto em que a ciência enfrenta também desafios de comunicação e de confiança pública, as Ciências Biomédicas assumem ainda um papel indireto, mas crucial: o de reforçar a fiabilidade da medicina moderna. Ao assegurar que decisões clínicas se baseiam em evidência rigorosa, contribuem para a credibilidade dos sistemas de saúde e para a relação de confiança entre ciência e sociedade.

Mais do que uma disciplina técnica, as Ciências Biomédicas constituem, assim, uma infraestrutura essencial da medicina contemporânea, muitas vezes invisível, mas indispensável.